Projeto Arte e Cultura de Terreiro lança seminário “Caminhos que levam a Exu”

A temática visa vencer preconceitos em relação a um dos maiores tabus das religiões de matriz afrobrasileira

Intolerância religiosa, medo e desinformação ainda são as maiores barreiras enfrentadas pelos filhos das casas de umbanda e candomblé em todo Brasil. Toda a ludicidade e misticismo do culto aos orixás, ainda tem grande resistência social, e em Barreiras, com o propósito de desmistificar e promover o debate de um dos maiores tabus da cultura brasileira, as religiões de matrizes africanas, a Sociedade Cultural e Beneficente Casa de São Jorge Guerreiro realizou na sexta-feira, 05, o Seminário “Caminhos que levam a Exu”.

O evento faz parte do Projeto Arte e Cultura de Terreiro que é um dos nove projetos culturais comtemplados pelo Chamamento Público da Prefeitura de Barreiras que recebe apoio financeiro através do Fundo Municipal de Cultura. Realizado no Centro Cultural Rivelino Silva de Carvalho, o seminário promoveu uma mesa de debates, acerca da pluralidade e intolerância religiosa, trazendo todas as especificidades das crenças das religiões de matriz africana.

Participaram como mediadores o pedagogo da UFOB e especialista em educação e diversidade, Ari Fernandes, a filha e membro da Casa Branca, Fernanda Lucena, o Babalorixá Claudionor representando a Casa de São Jorge (Mãe Nicinha) e a coordenadora da Escola Municipal de Teatro, Diva Bonfim.

“O projeto visa melhorar o entendimento para combater o medo e preconceito que são origem da intolerância religiosa e do desrespeito à nossa fé”, disse o babalorixá Claudionor, diretor da Casa de São Jorge. Ele foi um dos mediadores da roda de conversa que abordou temas como as lendas e mitos de Exu no Brasil e na África; as diferenças entre Exu Orixá e “Exu de Lei”; as representações de Exu na arte; e as energias, trabalhos e oferendas dedicadas a Exu.

O idealizador do projeto e restaurador de imagens sacras, D´Angilis Cunha Maia disse que o objetivo é vencer os preconceitos e aproximar a comunidade dos terreiros, mostrando a seriedade e fé. “Felizmente conseguimos apoio e visibilidade para o projeto Arte e Cultura de Terreiro através do Fundo Municipal de Cultura. O projeto continua abrindo as portas para a comunidade conhecer a vivência dos filhos e filhas de santo, os significados das roupas, turbantes e culinária. Ainda teremos a realização da Oficina de Restauração de Imagens Sacras que será aberta ao público, com a recuperação da imagem de Oxalá, que participa do cortejo fluvial no dia de Iemanjá, além da exposição das imagens sacras dos terreiros e o seminário de encerramento”, disse o idealizador.

A subsecretária de educação, Emília Moreno, o vereador João Felipe e o diretor de cultura, Lucas Barreto prestigiaram o evento. Com a presença de filhos e filhas de santo, comunidade e religiosos, o seminário manteve o formato interativo, apresentando a parte histórica e contando um pouco da trajetória do orixá Exu no universo do candomblé e umbanda. “Um momento enriquecedor, com a história, todo misticismo e informações que quebram realmente os tabus e negatividade que as pessoas ainda trazem dos cultos de matriz africana. Quero parabenizar a iniciativa, e a união das casas de umbandas e candomblés para que o projeto alcance seus objetivos, e estaremos sempre buscando ferramentas para oportunizar o entendimento cultural e valorizar todas as manifestações artísticas populares”, finalizou a subsecretária Emília.

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